Depressão não é tristeza, tristeza não é depressão!

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Olá! Vamos falar sobre depressão? Sim, mais uma vez neste assunto, mas agora com o objetivo de mostrar as principais diferenças entre a doença e o sentimento de tristeza. O motivo deste post é ajudar as pessoas no discernimento de suas emoções ou quadros psiquiátricos. Serve tanto para quem está enfrentando problemas no cotidiano e sentindo uma enorme tristeza, mas já achando que é depressão, e também para quem está com depressão, porém empurrando a situação com a “barriga”, como se fosse uma mera tristeza passageira. Conhecer a diferença entre emoções normais e sintomas, certamente, pode ajudar cada um a entender o que, de fato, está sentindo e se precisa da ajuda de um psiquiatra. Protelar um tratamento só agrava a doença. Portanto, estou aqui para ajudar!

Veja os 3 pontos chave para diferenciar tristeza de depressão:  

1. Persistência da emoção

Ao passo em que o sentimento normal de tristeza aparece apenas por algumas horas durante poucos dias, a tristeza da depressão dura quase a maior parte do tempo durante pelo menos duas semanas. Quando não é detectada e não há o tratamento correto, pode persistir por meses ou anos. Muitas vezes a pessoa acaba entendendo essa tristeza como uma caraterística pessoal. Outra coisa, a tristeza normal é limitada a um evento muito bem definido, tal como a perda de um emprego, a separação de um relacionamento, a perda de um ente querido, etc. Já a tristeza da depressão pode aparecer sem nenhum motivo ou acontecimento. Outras vezes, ela até tem motivo, mas a própria pessoa, ou seus contatos próximos, percebem que parece mais intensa ou durando mais do que o esperado. Ou seja, na depressão, mesmo quando há um motivo para a infelicidade, a tristeza permeia e invade outras esferas da vida da pessoa depressiva. Uma outra forma muito comum de identificar que a tristeza é decorrente de uma depressão, é quando ela aparece diante de várias situações ou motivos. Quando tudo é motivo para tristeza e pessimismo, é mais provável que a tristeza seja decorrente da depressão.

2. Biologia – Alterações no funcionamento cerebral

O funcionamento biológico não sofre alterações quando uma pessoa sente tristeza, de modo que ela não se sente doente de forma alguma. Um indivíduo triste sente apenas a emoção e pode ser de diferentes formas: há quem chore, há quem queira ficar sozinho por um tempo, há quem ria de nervoso, etc. Mas o corpo continua funcionando de forma normal. Ou seja, a capacidade do sistema nervoso de exercer suas funções como sono, concentração, energia, motivação, apetite, controle dos pensamentos, etc, está preservada, intacta.

Já no caso de uma pessoa com depressão, o sistema nevoso passa a não conseguir mais executar suas funções básicas. São diversas alterações de funcionamento que podem ser identificadas. Vou citar as mais comuns: o cérebro começa a ter dificuldade em regular o sono, então a pessoa começa pode ter dificuldade para dormir ou sentir sono excessivamente; o cérebro perde a capacidade de controlar o apetite, então a pessoa pode comer compulsivamente ou outras vezes, perder completamente o apetite ao ponto de perder o paladar; o cérebro passa a ter dificuldade em regular a velocidade e o controle dos próprios pensamentos, levando a dificuldades de concentração ou de tomar decisões em coisas simples do dia; O cérebro muitas vezes começar a ter dificuldades para modular emoções, então mesmo quando algo bom acontece com a pessoa ou quando ela faz algo que costuma gostar, aquilo parece não produzir a mesma alegria. Esse sintoma tem o nome de anedonia; O cérebro, que é o maestro de todo o corpo, perde também a capacidade de sincronizar o funcionamento de outros órgãos. Desta forma a pessoa com depressão pode sentir o coração mais acelerado, ou o intestino solto ou muito preso, pode sentir tonturas, náuseas, falta de ar e muitos outros sintomas físicos.

É importante frisar que em um quadro de depressão, essas alterações de funcionamento podem ser leves em muitos pacientes, mas mesmo assim estarem presentes. A gravidade de um quadro de depressão é avaliada por uma pontuação estabelecida para cada uma destas alterações de funcionamento. Assim também, conseguimos saber o grau de melhora durante o acompanhamento.

3. Intensidade

Um sentimento considerado normal, não afeta a produtividade cotidiana de ninguém. Assim é a tristeza normal. Ou seja, mesmo quando está triste por algum acontecimento, a pessoa consegue fazer suas tarefas diárias e manter sua rotina de forma normal. A tristeza não tira a concentração, energia ou habilidades de forma que prejudique suas atividades.

Enquanto isso, a depressão impacta no funcionamento do corpo e afeta suas atividades diárias em pelo menos uma ou várias esferas da vida. Pode ser desde uma discreta perda de produtividade no trabalho, ou ainda dificuldades nos relacionamentos se afastando do convívio social, ou mesmo uma dificuldade para construir uma realização pessoal em suas atividades por não encontrar satisfação em suas conquistas. E nem preciso dizer que a depressão pode levar ao suicídio, caso não tratada e agravada com o tempo.

Causas e aspectos químicos (ou melhor, biológicos)

A maior prova de que a depressão é diferente de um estado normal de tristeza é uma coisa chamada de “neuroinflamação”. Ou seja, hoje em dia temos inúmeras pesquisas mostrando que quando uma pessoa tem os três pontos chave citados acima, é possível identificar diversas substâncias relacionadas à inflamação em algumas regiões do cérebro. Em outras palavras, durante um quadro de depressão o cérebro fica “inflamado”, e justamente por causa disto, alguns circuitos cerebrais deixam de funcionar como deveriam.  Da mesma forma que um joelho fica inflamado e não dobra direito se você sofrer uma torção.

E nas pesquisas, essa inflamação não é observada no cérebro de pessoas com uma tristeza normal. E ela ocorre pela combinação de diversos fatores, entre eles fatores genéticos e biológicos, fatores psicológicos ou de caráter, e também fatores ambientais ou coisas que acontecem durante a vida. Mas vou deixar essa conversa pra outro texto!

Restabeleça a comunicação!

Pronto, agora você já sabe que a depressão tem um componente biológico bem importante e isso pode ajudar nas decisões de tratamento (que visa restabelecer o funcionamento dos circuitos cerebrais alterados). Isso, tanto se for o seu caso quanto se for para ajudar alguém.

O importante é saber identificar o problema e ter empatia por quem sofre, ainda que seja você mesmo.

Pra finalizar quero deixar só algumas dicas: quando encontrar alguém deprimido, não diga, “se esforce, vamos sair!”, porque não é falta de vontade. Ao contrário, diga “tente se tratar, procure por um médico. Estou aqui para ajudar no que precisar!”.

Lembre-se que quando uma pessoa está em uma crise de depressão o cérebro dela (portanto o corpo) não responde da mesma forma que de uma pessoa sem depressão. Assim, o esforço ou “força de vontade” necessários para que ela exerça alguma atividade, é muito maior do que aquele que seria necessário se ela não estivesse em depressão. E para muitas pessoas com quadros de depressão grave, é praticamente impossível que a “força de vontade” ou “esforço” produza alguma ação ou atitude.

Se você se identificou com alguma informação neste texto, agende uma conversa com um profissional para tirar suas dúvidas! Procure um psiquiatra e ele poderá orientar melhor qual é o melhor caminho: medicamentos ou terapia.

Se não identificou em você nenhuma das alterações que citamos acima, deixo outro recado: durma bem, cuide da sua alimentação, pratique exercícios físicos e ajude os outros!

Dr. Giovani Missio

Dr. Giovani Missio

A Saúde Mental abrange um largo aspecto de funcionamento mental que vai desde a grave doença mental até o funcionamento de alta performance.

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